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Estava caminhando para o trabalho, em um dia desses, quando reparei na frase que adesivava a lateral de uma limusine branca, que desfilava pela avenida Paulista, em São Paulo: “Giovanna – 11 anos”. Nela, a aniversariante e outras três meninas saiam pelo teto solar.


Demorei alguns segundos para assimilar a cena, e logo minha cabeça se encheu de perguntas: o que leva uma garota a querer de presente de aniversário um passeio dentro de um carro gigante, que quase ocupa o quarteirão inteiro? O que estamos fazendo com a infância? Fiquei refletindo sobre os desejos que pais e mães carregam dentro de si, não realizam e acabam “implantando” goela abaixo dos filhos.

A situação me fez relembrar que nunca gostei da ideia de que a criança é um recipiente vazio a ser preenchido. As crianças são cheias! De vida, de expectativa, de descoberta, de curiosidade. O que ocorre é que o conhecimento delas é ampliado cada vez mais, conforme as experiências são vividas. Isso quer dizer, senhoras e senhores, que nosso papel é fundamental no desenvolvimento delas porque nós as influenciamos em todos os seus movimentos. Tudo aquilo que falamos e fazemos reflete como um espelho.

O ambiente escolar, por exemplo, é ponto chave e nevrálgico para o desenvolvimento de nossas crianças. Minha pequena Laura passa mais tempo na escola do que em casa, e a cada reencontro, aparece uma novidade. Aquilo que ela vivenciou na escola é exibido para mim durante as brincadeiras, conversas e apresentações de dança que ela faz (a hora do show!). Seus gostos e desejos também são revelados; ela tem, sim, sua opinião (e forte!), mas tudo isso está relacionado ao ambiente em que está inserida e às relações construídas.

Já parou para pensar sobre o quanto suas ações influenciam seus filhos? Quais valores estamos ensinando a cada passo que damos? A forma como nos relacionamos com o consumo ou como tratamos as outras pessoas são exemplos para os pequenos de como eles podem atuar no mundo. É fato que a aprendizagem não ocorre apenas na escola, mas sim a todo tempo e em todos os espaços.

Por menos limusines e mais pés brincantes descalços! Por menos limusines e mais sorrisos para as bolhas de sabão que voam e estouram! Por muito mais amor e afeto!

Mariana Cetra é formada em comunicação social e desenvolve, pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), estudos e projetos nas áreas da cultura e da educação.