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Créditos: Pixabay

Por Kelli Angelini


Mães, pais, professores e coordenadores escolares passaram a ouvir falar ou ler, do dia para noite, sobre uma tal de “Momo”. Mas o que é isso?

Trata-se da foto de uma menina de olhos esbugalhados e com uma boca que vai de uma orelha a outra, aparentando uma mulher usando uma máscara de um personagem de filme de terror (na verdade a imagem é uma escultura que foi exposta em 2016 numa galeria de arte em Tóquio).

Mas o perigo não é se assustar com a imagem. A princípio trata-se de um jogo (perigoso) no qual crianças e adolescentes recebem ligações ou adicionam o número amaldiçoado do WhatsApp da Momo e conversam com ela. Nessas conversas há relatos de jovens que receberam imagens violentas, xingamentos e até ameaças.

Como para muitas crianças e adolescentes tudo parece diversão, a “brincadeira” que pelo que dizem começou no México, se espalhou por diversos países do mundo e chegou também ao Brasil.

Mas a coisa para por aí? Não. O mais perigoso vem agora. Há informações de que a “Momo” estaria induzindo crianças e adolescentes, que conversam com ela pelo WhatsApp, a praticar determinados desafios (supostamente violentos), instigando que os envolvidos comprovem coragem através deles e até ameaçando quem não o faça.

As ameaças supostamente decorreriam do fato de que a pessoa que estaria por trás da “Momo”, valendo-se do número do celular e do nome da criança ou adolescente que conversa com ela, buscaria informações na Internet e induziria os jovens a acreditar que a “Momo” sabe tudo sobre a vida dela, inclusive que teria o contato de seus amigos e familiares.

Nos últimos dias, o assunto (“Momo”) passou a ser um dos mais comentados devido não só à publicação de matérias em jornais regionais sobre “vítimas do jogo Momo”, mas também pela circulação, nos grupos de Whatsapp das mães de grupos escolares, compartilhando prints com desabafos de mães que supostamente perderam seus filhos em decorrência do desafio de prender a respiração, dando a entender que teriam sido causados pelo jogo “Momo”.

Apesar da situação crítica, é preciso manter a calma em momentos como esse e refletir. Embora existam casos concretos de jovens que perderam a vida em decorrência de desafios violentos, não há até o momento qualquer comprovação oficial de que esse jogo da “Momo” teria causado a morte de alguma criança ou adolescente.

Diante de todos esses fatos, impera a preocupação dos adultos sobre o que devemos fazer.

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Pais, mães e educadores podem e devem atuar nessas situações, mas com muita cautela. Ao tomar conhecimento deve-se evitar a proliferação do assunto especialmente entre crianças e adolescentes. Se ficou sabendo de jogos perigosos ou desafios violentos, não precisa sair correndo, desesperadamente e impensadamente, para contar isso aos filhos. Temos que ter prudência em nossas ações para não despertar o interesse dos jovens em fazer parte desse ou de qualquer outro jogo ou desafio violento. Lembrem que estamos falando de seres em desenvolvimento, que além de não ter a maturidade de um adulto, possuem pouca noção de autoproteção e autocuidado.

Mas isso não significa que os pais e educadores devem ficar calados e angustiados com medo de que algo aconteça. A recomendação é que se avalie inicialmente a idade da criança antes de falar algo, pois crianças muito novas que não fazem uso de celular e não usam computadores sozinhas muito provavelmente nem sequer ficarão sabendo desses fatos, muito menos de desafios perigosos.

Quanto aos mais velhos (adolescentes), diante da disseminação rápida de informações que circulam na Internet e da alta probabilidade deles terem acesso a essas notícias, seja por meio da rede ou de amigos, vale a pena uma conversa abordando não só os riscos ao corpo e à saúde que desafios violentos podem causar, como também as consequências de determinadas ações, como, por exemplo, orientar que ao conversar com estranhos nas redes sociais ou no Whatsapp não sabemos quem está por trás daquela foto e qual a intenção da pessoa (na mesma linha da velha orientação que recebíamos de nossos pais: “não fale com estranhos”).

O diálogo é a arma mais poderosa que temos para proteger nossos filhos, pois é através dessa ferramenta que se leva a instrução e se conscientiza sob os riscos que determinados fatos e acontecimentos podem causar.

Outra dica: não espere esses acontecimentos para ter essa conversa, vale a pena no dia a dia e, se possível, frequentemente, ter um bate papo sobre riscos e perigos em geral, em especial aqueles que podem ocorrer na Internet, para discutir situações desagradáveis e também para elogiar bons comportamentos no uso da rede. Afinal, a Internet é um ambiente de magníficas oportunidades, mas um pouco de cuidado não faz mal a ninguém.

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Kelli Angelini é gerente de assessoria jurídica do NIC.br, autora e idealizadora dos Guias Internet com Responsa-cuidados e responsabilidades no uso da Internet.