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Coletivo Cafuzas durante atividade de narração na Biblioteca Monteiro Lobato, em Guarulhos (SP)

A existência do Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, além de evocar o significado de resistência da população negra no período colonial, lembrando a morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, é um marco na busca do movimento negro por mudanças na forma de narrar a luta abolicionista no Brasil, por muito tempo contada nos livros e nas escolas com destaque para a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.


O desejo de revelar e difundir vozes, autores, personagens e protagonistas negros que constituem a história do país, por meio da valorização de narrativas, é também uma das frentes de trabalho do Coletivo Cafuzas, que contará histórias de autores brasileiros, além de fábulas e mitos de origem dos povos africanos, nos dias 24 e 27 de novembro, no Sesc Jundiaí, em São Paulo.

Formado por três narradoras de histórias de São Paulo, o coletivo se move por cidades brasileiras, desde 2014, compartilhando com o público narrativas provenientes das culturas indígenas, africanas e afro-brasileiras estudadas pelas artistas. Entre essas histórias, está o conto Os Comedores de Palavras, do escritor mineiro Edimilson de Almeida Pereira, que será narrado na próxima semana pelo trio na apresentação “Venci o bicho silêncio e minhas histórias contei!”. O nome da apresentação é uma frase da obra do autor.

A partir da tradição oral de transmissão de conhecimentos presente nas culturas ancestrais, Daniela Landin, Roberta Stein e Rosana Borges Silva promovem reflexões sobre a história brasileira à luz das trajetórias de resistência e dos saberes produzidos pelos vários povos. Nesse percurso, o Coletivo Cafuzas tem realizado rodas de compartilhamento de experiências, intervenções narrativas em espaços públicos, mediações e oficinas de narração de histórias e intervenção urbana.

A atividade do coletivo em Jundiaí, que terá interpretação para a língua brasileira de sinais, também inclui, entre outras histórias, a do livro infantil Minhas contas, de Luiz Antonio. Finalista do Prêmio Jabuti em 2009, ele fala dos efeitos da intolerância às religiões de matriz africana sobre a amizade de duas crianças.

“Venci o bicho silêncio e minhas histórias contei!” (Narração de histórias)
Local: Sesc Jundiaí (atividade gratuita)
Quando: 15, 24 e 27 de novembro de 2016, às 11h
Concepção e narração: Coletivo Cafuzas (Rosana Borges Silva, Roberta Stein e Daniela Landin)
Percussão: Gisahs Silva
Figurino: Patricia Ashanti
Tradução em libras: Amanda Lioli